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| O Baraúnas foi rebaixado para a segundo divisão do Campeonato Estadual em 2018. Foto: Allan Phablo |
Esta
terceira e última parte da reportagem especial sobre os último seis anos do
Baraúnas, vamos abordar o trágico ano de 2018, que culminou na queda do clube
para a segunda divisão do Campeonato Estadual.
Também será
abordado a intervenção no clube e o que esperar para os próximos anos.
- 2018: ano
do rebaixamento
Campeão
estadual em 2006 e um dos principais clubes do futebol do Rio Grande do Norte,
o Baraúnas nunca havia sido rebaixado no Campeonato Estadual. O Leão do Oeste
licenciou-se algumas vezes ao longo de sua história da competição, mas cair
dentro de campo ainda não tinha ‘saboreado esse gostinho’.
O ano de
2018 marcou o primeiro rebaixamento do clube no certame potiguar. Com uma
péssima campanha, o descenso foi se desenhando rodada a rodada até o jogo
contra o Assu no Edgarzão, válido pela sexta rodada do segundo turno, decretar
a queda leonina à segunda divisão do Campeonato Estadual.
Ainda no
começo da pré-temporada o técnico Cícero Ramalho, em entrevista ao programa
Tela Esportiva, da TCM, já avisava que o pior poderia ocorrer. Naquele
programa, exibido em 14 de dezembro de 2017, Ele afirmou que o objetivo do
tricolor para o Estadual de 2018 seria a luta contra o rebaixamento. O
treinador fez essa projeção com base nas dificuldades financeiras com as quais
o Baraúnas estava passando.
“A briga é
para não cair, essa é a realidade; não estou aqui para enganar o torcedor”,
disse Ramalho.
No entanto,
Ramalho, talvez pressentindo que o iminente rebaixamento, largou o clube há
menos de duas semanas para o pontapé inicial do certame. Ele alegou projeto
pessoal para deixar a equipe.
O jornalista
Marcos Santos ressalta que o rebaixamento do Baraúnas ‘começou antes da bola
rolar’, quando o clube decidiu ‘ir para a competição sem nenhuma condição’.
“O Baraúnas
foi rebaixado ante de a bola rolar, quando decidiu ir para o campeonato sem a
menor condição. A diretoria confirmou a participação faltando 20 dias para o
evento começar, o próprio Cícero Ramalho, técnico anunciado para treinar a
equipe, mas desistiu, havia falado justamente da falta de uma estrutura até
mesmo básica, afirmando que a luta do Baraúnas era contra o rebaixamento.
Aqueles 7x0 aplicados pelo ABC dentro do Nogueirão, nunca visto nem mesmo no
período de alto favoritismo da capital sobre o interior, foi prenúncio da queda
do Leão”, frisou.
A solução
encontrada pela cúpula leonina foi contratar o técnico Agnaldo Fidélis, que
treinou o time em cinco jogos no campeonato de 2016. À época, ele atuava como
auxiliar técnico e foi efetivado após a saída de Givanildo Sales.
“Minha
chegada acredito eu que tenha sido por dois motivos. O primeiro foi o trabalho
que a gente fez no final do campeonato do ano anterior (2017), onde eu estava
como auxiliar e substitui Givanildo Sales. Naquele momento, conseguimos ter
vitórias em jogos importantes, como, primeira vitória contra o Globo, vitória
contra o América e ABC. O segundo motivo acredito eu que tenha sido a falta de
condições financeiras para contratar um treinador com o salário maior”, revelou
Fidélis.
Fidélis
ficou no comando do Baru por apenas três rodadas no certame 2018 do
Potiguarzão. Na estreia, o clube perdeu para o Globo por 3 a 0. Já na segunda
rodada, o Leão seria derrotado novamente. Desta vez, o algoz foi o América.
Placar de 1 a 0, no Nogueirão.
O estopim
para a demissão de Agnaldo Fidélis foi a impiedosa goleada sofrida para o ABC. Na
noite da quarta-feira, dia 25 de janeiro, o Baraúnas sofria sua pior derrota na
história do Campeonato Estadual: 7 a 0. Os gols da grande vitória foram
marcados por Matheus (3), Wallyson (2), Fessin e Jorge Eduardo.
Agnaldo
Fidélis não resistiu e caiu no dia seguinte. Ele conta o que houve naquela
fatídica noite.
“Aquela
derrota, foi algo atípica, realmente foi algo que até hoje me pergunto o apagão
que se deu naquele momento, mas enfim, a gente tinha feito bons jogos contra o
Globo e depois contra o América, apesar das derrotas, mas o que destaco foi o
comportamento tático, contra o ABC era a terceira rodada, já existia um leque
de problemas no clube, com a falta do mínimo onde é sabido por todos, o
principal é o atraso de salários, mas entendo que o jogador mesmo com esse
acontecimento ninguém entra para perder, e ainda mais do jeito que foi. É algo
que fica marcado”, destacou.
Para o lugar
de Agnaldo a diretoria do clube trouxe Williams Rodrigues. A estreia dele foi
no clássico contra o Potiguar no dia 28 de janeiro. O Potiba terminou empatado
em 0 a 0. Esse foi o único ponto conquistado por ele a frente do Leão. Depois
foram três derrotas. O revés para o Força e Luz culminou na demissão de
Rodrigues.
Já na
lanterna da competição, o Baraúnas anunciou Higor Cesar. Ele foi contratado
para tentar salvar a equipe do rebaixamento. A estreia de Higor foi contra o
América. Derrota por 1 a 0. Na sequência, os mossoroenses enfrentaram o ABC e
perderam novamente.
Higor conta
como foi chegar ao clube mergulhado numa crise técnica e financeira.
“Cheguei
para comandar a equipe do Baraúnas. A equipe só tinha um ponto no campeonato,
um gol marcado, um situação horrível dentro da competição naquele momento da
minha chegada. Tive só um contato com o grupo e já pegamos dois jogos fora de
casa contra América e ABC, onde conseguimos fazer bons jogos, mas não
conseguimos os resultados que queríamos. Logo depois tivemos o clássico.
Conseguimos fazer outro bom jogo, mas não saímos vencedor. Conseguimos uma
vitória dentro de casa contra o Globo, que deu confiança boa no grupo para ir
as últimas rodadas com chances de livrar do rebaixamento”.
A primeira e
única vitória leonina no Estadual de 2018, citada por Higor Cesar, foi contra o
Globo. Em partida adiada da primeira rodada do segundo, o Baraúnas bateu o
Globo por 2 a 1 e deu ainda esperança a seu torcedor de que a equipe sairia
daquela situação terrível que passava.
“Tínhamos um
grupo limitado, fruto de um planejamento totalmente errado. Tentei ajudar da
melhor maneira possível. Enfim, pegamos o clube num situação horrível e,
infelizmente, não conseguimos livrar (o time do rebaixamento)”, completou.
Porém, a
goleada sofrida para o Assu quatro dias depois decretou o primeiro rebaixamento
da equipe na competição estadual. O Leão perdeu por 4 a 1. A partida foi válida
pela sexta rodada do segundo turno e disputada no estádio Edgarzão.
O clube
ainda lutava contra a degola naquela oportunidade, mas o revés diante do
Camaleão do Vale foi o suficiente para o descenso do tricolor mossoroense. Os
mossoroenses somavam apenas quatro pontos na classificação geral e não poderiam
mais alcançar o Força e Luz, que tinha dez pontos no geral naquela altura.
Se vencesse
o Assu na tarde daquele domingo, o time mossoroense enfrentaria o Força e Luz
dependendo apenas de suas forças para se livrar do rebaixamento a segunda
divisão do futebol potiguar. Mas a derrota sepultou a possibilidade deste jogo
valer ‘como uma decisão’ para o tricolor.
Treinador
que caiu com o time mossoroense, Higor Cesar lamentou a situação em que
encontrou a equipe e disse que procurou fazer o melhor possível para evitar a
queda de um dos clubes mais tradicionais do estado.
“As
dificuldades extracampo, como salários atrasados, logísticas erradas e outras
coisas a mais que existiram dentro do clube fez com que refletisse dentro de
campo. Realmente isso foi o fator determinante para o rebaixamento do clube.
Qualquer clube que tiver financeiramente horrível da forma que estava o
Baraúnas, provavelmente, aconteceria a mesma coisa”, disse o treinador do clube
à época. Ele acrescenta.
“Tenho uma
admiração pelo clube e espero um dia voltar a comandar o Baraúnas e fazer um
bom trabalho. O Baraúnas tem que voltar o mais rápido possível para o lugar de
onde nunca era para ter saído, que é de primeira divisão do Campeonato
Potiguar”.
O atual
interventor do Baraúnas, Damásio Medeiros, enfatiza que a queda do Leão do Oeste
para a segunda divisão “foi consequência de erros”.
“Já o
rebaixamento (no Campeonato Estadual) foi consequência de erros, mas não culpo
ninguém, pois sempre tenho dito que ninguém faz um time para ser rebaixado. Há
quem diga que sim que tudo foi de caso pensado, mas eu, particularmente, não
acredito nisso”.
Agnaldo
Fidélis adota uma postura parecida com a de Damásio, mas é mais contundente as
críticas a diretoria que comandou o clube na campanha do rebaixamento.
“Bem o
rebaixamento é algo que ninguém gosta, é algo lamentável, mas tudo isso foi o
reflexo da má administração dos dirigentes, um planejamento mal feito, e tudo
em cima da hora, e olhando bem nesse momento, vejo como benéfico, assim o clube
recomeça já que esse ano bateram todos recordes de erros, onde o resultado foi
o rebaixamento, mas enfim torço que o clube volte logo a figurar na elite do
futebol local e que minimizem os erros e consiga trazer de volta o maior
patrimônio do clube que é o torcedor, até porque todos passam, mas o torcedor é
eterno com seu amor”.
- O que
esperar para os próximos anos
Após
consumado o rebaixamento, um grupo de sete pessoas pediu a justiça a
intervenção do Baraúnas. No dia 29 de maio, o juiz Edino Jales, da 1ª Vara
Cível de Mossoró, deu parecer favorável a pedido de intervenção protocolado
desde o dia 17 de abril passado por um grupo de sete pessoas. Nicolo Damásio de
Melo Medeiros foi nomeado pelo juiz.
Damásio
Medeiros explica como esse grupo se reuniu e encontrou a situação do
tricolor.
“Um grupo de
torcedores apaixonados e triste com a situação do clube começou a procurar
saber a fundo a real situação do Baraúnas. Nessa busca se depararam com dívidas
que vinham em cascata e que algumas diretoria contraiam dívidas em nome do
clube e simplesmente não pagavam. Isso foi criando uma bola de neve e
percebíamos que os abnegados estavam saindo de perto do clube por não acreditar
nos gestores. Isso foi afundando o clube. Creio que o modelo de gestão sem
prestação de contas gerou desconfiança dos abnegados e da torcida. Então, o
pedido de intervenção era inevitável, pois o Baraúnas estava afundando a cada
dia. Para tentar salvar o patrimônio do clube não restou outra alternativa a
não ser pedir judicialmente a intervenção e paralisar tudo que estava
acontecendo”.
Segundo o
Portal F9, um levantamento preliminar, divulgado à época, nas quatro varas que
compõem a Justiça do Trabalho, confirmaram 55 ações contra o clube. Dessas, 13
já executadas e 42 em curso de execução. São ações de jogadores e funcionários
que não receberam seus direitos quando serviram ao clube. Os valores não foram
informados ainda, mas estima-se que o montante ultrapasse R$ 1 milhão.
Rebaixado
para a Série B do Campeonato Estadual e ainda com o futuro incógnito, o
Baraúnas precisa trilhar um caminho para voltar a ser um time da elite do
futebol potiguar.
Atolado em
dívidas, o Leão do Oeste já ficou fora da 2ª divisão do Estadual neste ano e
ainda não há notícias de que o clube vem a participar da competição em 2019.
Damásio Medeiros informou que, como interventor, terá pouco tempo para tentar
solucionar os problemas encontrados no Leão do Oeste.
“Como
interventor terei pouco tempo pra conseguir fazer com que o Baraúnas saía das
dívidas. Nesses 40 dias que estamos à frente já conseguimos quitar algumas
dívidas, mas muito longe de resolver tudo até porque as dívidas do Baraúnas são
de várias gestões e que se agravou nesse (ano de 2018) e que deu no que deu. A
intervenção vai até o dia 5 de outubro de 2018. Neste dia devemos eleger um
novo presidente”.
O jornalista
Marcos Santos atenta para que as novas pessoas que venham a dirigir o clube
arrumem a casa e possa desenvolver ‘uma gestão profissional’.
“Primeiro,
se reorganizar, pagar as dividas, arrumar a casa. Quando voltar às competições,
fazer diferente, compreender que futebol é produto e como produto, precisa ter
gestão profissional, convicção no trabalho, no projeto. Criar receitas,
negociar atletas descobertos em casa, ter perspectivas para fazer o trabalho
seguir. Times de menor porte conseguem se organizar, vender atletas para o
exterior, ter uma estrutura, e se isso é possível lá também pode ser aqui. O
que não pode é meter os pés pelas mãos, fazendo as coisas de forma inadequada.
Guerra
Júnior diz que o clube chegou ao fundo do poço, mas acredita que as pessoas que
estão chegando à nova diretoria possam reestruturar o tricolor.
“O Baraúnas
chegou ao fundo do poço e agora vem uma nova geração de torcedores a assumir o
clube, aqueles que eram mal vistos por alguns, por seu viés crítico. Duvidaram
que eles teriam chance de ter um cargo de gestão no Baraúnas e eles estão
enfrentando o desafio. Os primeiros passos têm agradado e o clube parece que
inicia uma reestruturação, depois de chegar no fundo do poço, com dívida
milionária e sem o mínimo de organização de documentos.”

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