sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Baraúnas em seis anos: do acesso a Série C ao rebaixamento no Estadual Parte 1


Equipe do Baraúnas conseguiu o acesso à Série C do Campeonato Brasileiro em 2013. Foto: Extraída da internet
Neste domingo, dia 23 de setembro de 2018, completa seis anos da última grande conquista do Baraúnas em sua história de mais de 60 anos: o acesso a Série C do Campeonato Brasileiro. Naquele domingo à tarde, 23 de setembro de 2012, o Tricolor mossoroense alcançava o objetivo de ter um calendário ‘quase’ que completo e, enfim, planejar uma temporada até, no mínimo, setembro. No entanto, a permanência dos mossoroenses na Terceirona durou apenas uma temporada.

Em 2013 o time caiu de divisão e voltou a Série D. De lá para cá o Leão do Oeste amarga um jejum de competições nacionais, a última participação foi em 2014 e ficou na primeira fase, e as pífias campanhas no Campeonato Estadual pavimentaram a estrada para o fundo do poço – leia-se rebaixamento para a segunda divisão no Rio Grande do Norte, ocorrido neste ano de 2018.

Nesta primeira parte, o blog abordará a montagem do elenco para a competição nacional, a campanha do clube na 4ª divisão e o jogo do acesso contra o Campinense em Mossoró.

- Montagem da equipe para a Série D

Terceiro colocado na classificação geral do Campeonato Estadual, o Baraúnas seria o representante do Rio Grande do Norte na 4ª divisão nacional daquele ano. Como ocorre em equipes do porte do Tricolor, a questão financeira emperrava a chegada de atletas que ganhassem um alto salário para os padrões locais.

A saída foi contar com a base do estadual recém-finalizado e trazer destaques da competição. O técnico Wassil Mendes, comandante da equipe na vitoriosa campanha, falou com foi a montagem do elenco para a Série D.

“A dificuldade primeiro para formar o grupo era a parte financeira. O Baraúnas não tinha condições de contratar jogadores com um salário muito alto. Então, nós tivemos no Estadual (a saída para trazer jogadores). Cheguei praticamente na metade do Estadual, onde a equipe estava muito mal colocada, mas conseguimos quase decidir o campeonato”. Ele completa.

“Depois do campeonato estadual aí veio a Série D e nós conseguimos, apesar da parte financeira complicada, através de observação de jogadores das equipes no Estadual que se destacaram na época, conseguimos trazer alguns jogadores. Pegamos até alguns jogadores que estavam parados. Paulinho Mossoró estava na cidade parado, sem clube. Ele era um jogador que eu já conhecia, tinha trabalhado comigo no Santa Cruz de Inharé. Trouxemos também o Richardson, que está no Ceará agora, que já estava no grupo do Estadual quando eu cheguei. O próprio Adalgiso era um jogador também que estava junto com Cambalhota. A gente formou um grupo forte, apesar da folha (de pagamento) ser relativamente barata para o campeonato (Série D)”.

Mendes atribui a excelente campanha no torneio nacional o encaixe que a equipe teve, mesmo com toda a dificuldade. “Nós conseguimos formar um time forte e que realmente se encaixou bem e conseguimos, com toda a dificuldade, fazer uma pré-temporada boa. Jogamos três, quatro amistosos. Isso ajudou muito a entrosar o time. Já tinha base do Estadual e conseguimos realmente ter um bom time”, revelou.

O jornalista e editor de esportes do jornal DE FATO, Marcos Santos, adotou a mesma linha de raciocínio de Wassil. Santos enfatiza também a escolha da base do Estadual como fator preponderante para a boa campanha na competição.

A preparação foi curta, mas interessante, porque a montagem do elenco teve a base do time que disputou o Campeonato Estadual, terminando na 3ª colocação. O goleiro Érico, os zagueiros Nildo e Índio, o meia Paulinho, e o atacante Fabinho Cambalhota, renovaram o vínculo, representando justamente essa base. Quando a bola rolou, o entrosamento estava encaminhado e não houve perda física, porque o Estadual tinha terminado há pouco tempo. Atletas que vieram como reforços, como os laterais Rafinha e Nininho, os meias Sorato, Richardson e Rafael Mattos, o zagueiro Jonathan e os atacantes Gilmar Couto e Alvinho, deram certo. O técnico Wassil Mendes teve seus méritos no encaixa da equipe, como também a diretoria que se organizou para a sequência da temporada, mesmo com recursos limitados”.

- Campanha do acesso a Série C em 2013

Integrante do Grupo 3 da Série C do Campeonato Brasileiro de 2012, o Baraúnas entrou na competição com as dificuldades de sempre de qualquer equipe que não dispõe de um calendário completo durante a temporada.

O Leão do Oeste foi o terceiro colocado na classificação geral do Campeonato Estadual daquele ano e entrou na chave que contou ainda com Horizonte, do Ceará, Campinense, da Paraíba, e Ypiranga e Petrolina, ambos do estado do Pernambuco. Com muitos jogadores da região, o Tricolor mossoroense iniciou a 4ª divisão sem estar entre os favoritos para o acesso na competição. Relatos da época apontam que a folha salarial girava em torno de R$ 50 mil. A pré-temporada da equipe durou mais ou menos de 20 dias.

A estreia dos mossoroenses ocorreu no dia 1º de julho, já pela segunda rodada do grupo. O Baraúnas empatou em 0 a 0 com o Horizonte no estádio Domingão. A segunda partida do clube – a primeira em casa – aconteceu sete dias depois. No dia 8 do mesmo mês, o Baru empatou com o Petrolina em 1 a 1. Gilmar marcou o gol dos donos da casa aos 14 minutos do primeiro tempo. O duelo valeu pela terceira rodada.

A primeira vitória da campanha do acesso veio na quarta rodada jogando no Nogueirão. O time mossoroense fez 3 a 1 no Ypiranga. Os gols do tricolor foram marcados por Índio, Paulinho Mossoró e Pedrinho. Já a primeira derrota veio para o Campinense. Jogando em Campina Grande, o Baraúnas perdeu por 2 a 1 de virada. Fabinho Cambalhota abriu o placar para os mossoroenses.

As equipes voltaram a se enfrentar no returno do grupo e o Leão do Oeste devolveu o placar do Amigão. Fabinho Cambalhota e Paulinho Mossoró foram os autores dos tentos leoninos. Na 8ª rodada o time comandado por Wassil Mendes fez 3 a 1 no Petrolina fora de casa. Marcaram para os visitantes Fabinho Cambalhota, Gilmar e Paulinho Mossoró.

A equipe da Capital Oeste terminou a primeira fase com o empate em 0 a 0 como Horizonte no Nogueirão. O resultado garantiu os mossoroenses na primeira posição da chave, com 15 pontos ganhos e vaga para a segunda fase da Série D.

Marcos Santos ressalta que os triunfos fora de casa foram importantes no acesso leonino a Série C, tanto na fase de grupos como nos mata-matas.

“Não ter perdido em casa, nas fases decisivas, foi fundamental. Isso permitiu confiança no trabalho. Ter vencido o Sousa, um adversário bastante difícil, nas duas partidas do primeiro mata-mata, também foi essencial para o tricolor chegar firme e forte nos jogos contra o Campinense, os quais valeram o acesso”.

O adversário leonino nas oitavas de final foi o Sousa. O Baraúnas venceu as duas partidas da série. No jogo de ida, realizado no estádio Marizão, no interior paraibano, vitória por 1 a 0 com gol de Gilmar aos 30 minutos do segundo tempo. No duelo de volta os mossoroenses bateram os paraibanos pelo placar de 2 a 0. Gols de Alvinho e Rafinha e vaga assegurada para as quartas de final e novamente enfrentar o Campinense.

Na fase quartas de final quem passasse avançaria para as semifinais e conseguiriam o tão almejado acesso a 3ª divisão no ano seguinte. A primeira partida entre Campinense e Baraúnas ocorreu no dia 15 de setembro, um sábado a noite no Amigão, e terminou empatada em 1 a 1. O gol leonino foi marcado por Rafinha.

Os paraibanos dominaram a partida, mas pararam na boa atuação do goleiro leonino Érico, que praticou importantes defesas que garantiram o empate para os visitantes. Aos 20 minutos de jogo, Nildo fez falta dura em Potita e foi expulso, deixando o time do Rio Grande do Norte com um jogador a menos.

O tão esperado jogo de volta que colocaria o clube na Série C de 2013 aconteceu no dia 23 de setembro. Naquela tarde de domingo ensolarada, o Leão da Doze Anos fez valer o mando de campo e venceu por 2 a 0. Alvinho no começo do jogo abriu o placar para os donos da casa e Adalgiso Pitbull no fim da partida decretou o acesso do Baraúnas para a 3ª divisão.

Com o acesso garantido, o Baraúnas enfrentou o Sampaio Corrêa nas semifinais. O primeiro jogo disputado no Nogueirão acabou empatado em 1 a 1. Maxwell marcou o gol do tricolor. Na partida de volta no Castelão, em São Luís, os maranhenses venceram pelo placar de 1 a 0 e avançaram para a final da competição. O Baraúnas terminou a Série D daquele ano na terceira posição.

Campanha do clube na Série D 2012
14 jogos
26 pontos
07 vitórias
05 empates
02 derrotas
19 gols marcados
10 gols sofridos
09 gols de saldo

- Jogo do acesso

Era um domingo ensolarado em que a torcida do Baraúnas foi ao estádio Leonardo Nogueira assistir aquele que seria o jogo do acesso a Série C do Campeonato Brasileiro. Precisando apenas de um empate sem gols, o Leão do Oeste fez mais que isso e venceu o Campinense por 2 a 0 e garantiu a tão sonhada vaga entre as equipes que disputariam a 3ª divisão em 2013.

Naquele domingo, 23 de setembro, Alvinho tratou de explodir de alegria a torcida leonina. Aos 14, ele aproveitou vacilo da defesa paraibana e chutou sem chances para o goleiro Pantera que nada pode fazer.

A partida, que valia uma vaga nas semifinais da competição e o acesso, foi bastante nervosa. Ben-Hur e Rafael Matos acabaram se estranhando e ambos foram expulsos deixando as equipes com dez jogadores. No final do primeiro tempo outro princípio de confusão. Jogadores do Campinense se desentenderam com um gandula. Na ocasião, o árbitro expulsou o atleta Isaías que aparentemente não estava incluso na confusão.

A equipe de Campina Grande foi para o tudo ou nada na etapa complementar e até chegou a marcar, mas o árbitro invalidou o gol de Warley, que estava impedido. O técnico do Baru Wassil Mendes acabou expulso por reclamação.

O gol que decretou o acesso leonino veio aos 43 minutos. Adalgiso invadiu a área, driblou o goleiro e quase entrou com bola e tudo marcando o segundo da equipe e fazendo explodir os mais de 3 mil torcedores que compareceram ao Nogueirão naquela tarde.

O autor do gol que sacramentou o acesso do Leão da Doze Anos destacou a união e o comprometimento do grupo como destaques positivos na campanha do acesso.

“Foi a união e o comprometimento de todo o grupo. Encaramos com seriedade todas as dificuldades e Deus nos coroou com o tão sonhado acesso”

O jornalista e torcedor do clube, Carlos Guerra Júnior, comentou quase toda a Série D pela Rádio Rural de Mossoró. Ele conta que dias antes desta partida teve de se mudar para Coimbra, em Portugal. Mesmo de longe, não deixou de acompanhar seu time de coração e vibrou muito pelo acesso conquistado.

“Fui comentarista da Rádio Rural em todos os jogos da Série D. Porém, me mudei para Coimbra justamente na semana do jogo decisivo. Ouvi em Coimbra, emocionado, sem acreditar que tinha conseguido e gastei uma grana para entrar ao vivo e de certa forma comemorar esse momento histórico. Também falei depois com Adalgiso Pitbull (autor do segundo gol da partida) por telefone, agradecendo e confirmando que eu sempre havia apoiado ele. Saí comemorando sozinho pelas ruas de Coimbra, sem ninguém saber muito bem o que se passava, até porque não conhecia ninguém”, contou.

Baraúnas e Campinense se enfrentaram quatro vezes na competição, sendo duas na fase classificatória com uma vitória para cada lado, coincidentemente como mesmo placar (2x1) e duas na fase eliminatória com os placares de (1x1 e 2x0) o último classificando o time potiguar as semifinais.

FICHA TÉCNICA
CAMPEONATO BRASILEIRO DA SÉRIE D

ESTÁDIO LEONARDO NOGUEIRA “O NOGUEIRÃO”

QUARTAS-DE-FINAL (SEGUNDA RODADA)

Árbitro: Jefferson Schmidt (SC-CBF)

Assistentes: Rosnei Hoffmann Scherer e Helton Nunes (SC-CBF)

Quarto Árbitro: Ítalo Medeiros de Azevedo (RN-CBF)

Cartões amarelos: Anderson Paulista, Breno Celso (C), Erivelton (Goleiro reserva) Nininho e Paulinho Mossoró (B).

Cartões vermelhos: Benhur, Isaías (C), Rafael Wassil Mendes (B).

BARAÚNAS
Érico, Rafinha, Índio, Jonatas, Nininho; Romeu, Rafael, Sorato, Paulinho Mossoró; Gilmar (Jonhson) e Alvinho (Adalgiso).
Técnico: Wassil Mendes.

CAMPINENSE
Pantera, Madson, Breno, Bem-Hur, Renatinho; Charles Wagner (Celso), Anderson Paulista, Fernandes, Adriano Felício (Anderson Oliveira); Warley e Potita (Eduardo Rato).

Técnico: Freitas Nascimento.

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